Vol. 32, nº 1, 2026

A reconstrução de capacidades estatais: um estudo da política ambiental e climática brasileira

DOI: https://doi.org/http://doi.org/10.1590/1807-0191202632104

Autores

Ana Karine Pereira

Centro de Desenvolvimento Sustentável

Universidade de Brasília

Gustavo Apollo

Centro de Desenvolvimento Sustentável

Universidade de Brasília

Yasmin Oliveira Targino

Centro de Desenvolvimento Sustentável

Universidade de Brasília

Luiza de Moraes Tavares de Lima

Greenpeace Brasil

Mariana Mota

Greenpeace Brasil

Wallace Lopes

Centro de Desenvolvimento Sustentável

Universidade de Brasília

Daniela Rosim

Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Ciências Econômicas

Universidade Federal de Goiás

Resumo

Quais são as principais políticas ambientais e climáticas do governo Lula III? Elas resultaram na reconstrução das capacidades estatais? E como a política influencia esse processo? Com base em documentos, entrevistas, dados orçamentários e de pessoal, o artigo identifica 23 políticas e programas, com ênfase em mudanças climáticas e povos e florestas, e esforços de recomposição e inovação. Há avanços institucionais, participativos e orçamentários, mas persistem déficits, como falta de servidores, evasão, infraestrutura precária e frustrações na carreira. A política condiciona essas capacidades estatais, com resistências no Congresso, tensões na coalizão governamental e pressões do agronegócio. A reconstrução é substancial e está em curso, mas sua consolidação exige articulação técnica, política e social.

Palavras-chave

capacidades estatais; política ambiental e climática; qualidade da burocracia; orçamento; Brasil

Abstract

What are the main environmental and climate policies of the Lula III administration? Have they led to a rebuilding of state capacities? And how does politics influence this process? Based on documents, budgetary data, personnel data, and interviews, this article identifies 23 policies and programs focused on climate change and people and forests—and efforts towards recomposition and innovation. Institutional, participatory, and budgetary advances have been made but deficits remain, such as a lack of civil servants, their attrition, poor infrastructure, and career frustrations. Politics conditions these capacities, with resistance in Congress, tensions in the governing coalition, and pressure from agribusiness. There has been substantial reconstruction, but its consolidation requires technical, political, and social coordination.

Keywords

state capacities; environmental and climate policy; quality of bureaucracy; budget; Brazil

Résumé

Quelles sont les principales politiques environnementales et climatiques du gouvernement Lula III ? Ont-elles permis de reconstruire les capacités de l'État ? Et comment la politique influence-t-elle ce processus ? Sur la base de documents, de données budgétaires, de données sur le personnel et d'entretiens, l'article identifie 23 politiques et programmes, en mettant l'accent sur le changement climatique, les populations et les forêts, et sur les efforts de recomposition et d’innovation. Des progrès ont été réalisés sur les plans institutionnel, participatif et budgétaire, mais des lacunes persistent : manque de fonctionnaires, évasion du personnel, infrastructures précaires et frustrations professionnelles. La politique conditionne ces capacités, avec des résistances au Congrès, des tensions au sein de la coalition et des pressions de l'agro-industrie. La reconstruction est consideérable, elle est en cours, mais sa consolidation nécessite une articulation technique, politique et sociale.

Mots Clés

capacités des États; politique environnementale et climatique; qualité de la bureaucratie; budget; le Brésil

Resumen

¿Cuáles son las principales políticas ambientales y climáticas del gobierno Lula III? ¿Han dado lugar a la reconstrucción de las capacidades estatales? ¿Y cómo influye la política en este proceso? Basándose en documentos, datos presupuestarios, datos sobre el personal y entrevistas, el artículo identifica 23 políticas y programas, con énfasis en el cambio climático y los pueblos y bosques, así como esfuerzos de recomposición e innovación. Hay avances institucionales, participativos y presupuestarios, pero persisten los déficits: falta de funcionarios, deserción, infraestructura precaria y frustraciones en la carrera profesional. La política condiciona estas capacidades, con resistencias en el Congreso, tensiones en la coalición y presiones del agronegocio. La reconstrucción es considerable y está en marcha, pero su consolidación requiere articulación técnica, política y social.

Palabras Claves

capacidades estatales; política medioambiental y climática; calidad de la burocracia; presupuesto; Brasil

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